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martes, 17 de junio de 2008



Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei


Vou-me embora pra pasárgada
Vou-me embora pra pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existencia é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
andarei de bicicleta
Montarei em burro bravo
Subirei ao pau de sebo
tomare banhos de mar¡

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-dagua
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É otra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide á vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada



Texto extraido do livro(Bandeira a Vida Inteira)

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